‘Estou esperançosa’, diz professora considerada obesa sobre nova perícia

Nova perícia será realizada nesta quarta-feira (23) em São Paulo (SP). Perito de São Paulo vetou professora a lecionar por causa do IMC de 40,4.

A professora em sociologia Bruna Giorjiani de Arruda, de 28 anos, moradora de São José do Rio Preto (SP) e que foi impedida de lecionar no Estado de São Paulo após ser considerada obesa mórbida por um perito, passa por nova perícia nesta quarta-feira (23), às 13h, no Departamento de Perícias Médicas do Estado de São Paulo (DPME), na capital paulista. “Estou muito esperançosa. Não vejo a hora de fazer a perícia para este resultado sair logo”, disse ao G1. A previsão é de que o resultado seja publicado no Diário Oficial entre três a cinco dias úteis.

A professora já perdeu cinco quilos em um mês e agora espera assumir a vaga a que teria direito por ter passado em um concurso público. “Não é por causa da vaga que emagreci, mas pela minha qualidade de vida”, disse ela.

A jovem passou no ano passado em segundo lugar no concurso público da Secretaria de Educação do Estado para assumir o cargo de professora na Escola Genaro Domarco, emMirassol (SP). Bruna foi impedida de lecionar por ser considerada obesa mórbida por um perito em São Paulo. Ela recorreu da decisão e novos exames foram feitos.

bruna

Na época  da primeira perícia, a professora pesava 110 quilos e como mede 1,65m teve o IMC (Índice de Massa Corporal) de 40,4. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) quando a medida ultrapassa os 40 a pessoa é considerada obesa mórbida. Depois de malhar e da dieta, a professora está pesando atualmente 105 kg, ou seja, o IMC caiu para 39.

Bruna confessa que nunca achou que seu peso seria problema para assumir o cargo. “Trabalho na rede pública de ensino há pelo menos sete anos como professora substituta. Como é contrato, todo ano nós fazemos exames médicos e uma prova. Nunca tive problema”, diz.

Ela leciona atualmente em uma escola estadual em Nova Aliança (SP) e em duas faculdades de Rio Preto. “O meu peso nunca foi problema. Nunca fui afastada por problema de saúde”, afirma Bruna.

Outro lado
O Departamento de Perícias Médicas do Estado de São Paulo (DPME) enviou nota ao G1 sobre a perícia para o ingresso de novos funcionários no serviço público estadual, inclusive professores. Segundo o departamento, os critérios técnicos e científicos são previstos na legislação, em especial no Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado (Lei nº 10.261/1968 com nova redação dada pela LC 1.123/2010), e também normas legais estabelecidas pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde (OMS).

“O exame pelo qual passam os candidatos é realizado por peritos selecionados e experientes e tem por objetivo avaliar não apenas a capacidade laboral no momento da perícia, mas sim fazer um prognóstico de sua vida funcional, de forma a ingressar numa carreira que dura, em média, 30 anos – o que não significa que ela não tenha condições de exercer sua profissão fora da esfera pública. O resultado não decorre de atitude preconceituosa e, sim, pela prerrogativa e princípio da continuidade no serviço público a qual prevê o Estatuto, em defesa o interesse público e o zelo pelo interesse coletivo”, diz nota.

Ainda segundo a nota enviada, a obesidade, por si só, não é considerada fator impeditivo para o ingresso na carreira pública. Já no caso da obesidade mórbida (classificação OMS), faz-se necessária uma avaliação mais detalhada, dadas as doenças oportunistas, como o diabetes, por exemplo.

 

 

Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2014/04/estou-esperancosa-diz-professora-considerada-obesa-sobre-nova-pericia.html

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