Seja um Gordinho Feliz.

Artigo Bacana do : http://www.diarioweb.com.br/novoportal/noticias/saude/151936,,Esta+feliz+gordinho+Continue+assim.aspx

Hoje a obesidade é tanto um problema real de saúde pública quanto uma fantasia moral que pesa na cabeça das pessoas. Dados do Ministério da Saúde mostram que, no Brasil, mais de 65 milhões de pessoas, cerca de 40% da população, estão com excesso de peso e, desse total, aproximadamente 10 milhões são considerados obesos.

Isso tem chamado a atenção de autoridades e o assunto virou alvo de patrulhamento. Mas o renomado endocrinologista Alfredo Halpern não tem medo de ir contra a corrente.

“Se uma pessoa é gordinha e não tem problemas de saúde, deixa ela. Se quiser emagrecer, tudo bem, mas se não quiser e isso não afetar sua autoestima, não é obrigada a emagrecer”, diz o médico, autoridade em emagrecimento, autor de 14 livros sobre o tema, o último lançado recentemente, “Emagreça e Saiba Como” (ed. Best Seller). Segundo Halpern, às vezes, a sociedade exagera no patrulhamento.

“Se a pessoa é gordinha, mas tem saúde, não tem alteração de açúcar, não tem colesterol ou qualquer outra alteração, não tem porque tratar desse paciente se ele não quiser.” Mas diz também que não vê nenhum problema em tratar a obesidade por vontade estética.

Halpern percebe ser muito comum ouvirmos que quem está acima do peso não emagrece por preguiça ou desleixo. A crença popular definiu uma série de estereótipos que muitas vezes não correspondem à realidade. Ninguém é obeso porque quer. Não é à toa que a cada semana uma nova dieta milagrosa é anunciada, conquistando rapidamente centenas de seguidores esperançosos que raramente conseguem alcançar o resultado desejado.

Com quase cinco décadas de carreira, o médico já viu entrar e sair de moda regimes dos mais variados, que envolviam tipo sanguíneo, fases da lua, beber a própria urina, tomar óleo de coco e até um batizado de “dieta da última chance”, que chegou a levar algumas pessoas à morte. “Sempre aparecem charlatões prometendo milagres”, lamenta. “Qualquer regime pobre em calorias faz emagrecer, porém, não ensinará a pessoa a comer direito nem evitará que ela engorde novamente”, diz o médico.

No início da década de 1970, Halpern criou a famosa dieta dos pontos, na qual os alimentos ingeridos contam pontos – cada um ponto equivale a 3,6 calorias. O paciente deve fazer com que a soma dos pontos fique dentro do limite diário estabelecido (em média, 1,2 mil calorias para mulheres e 1,8 mil para homens). Ele garante que, desta forma, podemos comer qualquer tipo de alimento, contanto que haja controle.

Em seu novo livro, Halpern elenca dicas que vão desde não titubear em deixar restos de comida (“O limite de sua fome não é o fim do prato”) até recomendações clássicas como exercícios cotidianos, como trocar o elevador pela escada.Sobre esse e outros assuntos, Alfredo Halpner falou com exclusividade com o Diário.

Diário da Região - Nosso estilo de vida e a alimentação são os responsáveis pela epidemia de obesidade no mundo?
Alfredo Halpern - Não, não é só isso. Essa é uma visão muito restrita. Está havendo essa epidemia porque mudou realmente nosso estilo de vida em relação à nossa alimentação, a diminuição de atividade física, principalmente a do dia a dia, mas provavelmente a uma série de outros fatores, que são muitos. O sono de menos qualidade (a população está dormindo menos), o estresse, os disruptores endócrinos, que são substâncias químicas que fazem engordar; agrotóxicos, a deficiência de cálcio que faz com que as pessoas engordem e a falta de vitamina D, porque estamos tomando menos sol. As pessoas gordas estão casando também com pessoas gordas. Logo, terão filhos gordos. As mulheres também estão tendo filhos mais tarde e grávidas mais velhas dão à luz filhos gordos. A modificação da temperatura ambiente com o uso do ar condicionado também é outro fator. A coisa vai muito além de uma simples mudança no comportamento alimentar.

Diário - Isso significa que as pessoas não estão saudáveis?
Halpern- Não, isso é um paradoxo. Apesar de a obesidade estar aumentando, assim como as doenças crônicas como hipertensão arterial e diabetes, a população está vivendo mais. Naturalmente isso por causa dos remédios, do saneamento básico e outras coisas também.

Diário - Existe algum limite entre a vaidade e a loucura pela boa forma física?
Halpern - Eu chamaria de obsessão. Algumas pessoas são um pouco mais preocupadas do que deveriam. Acho que essas pessoas têm realmente de procurar um profissional para ver se é só da cabeça delas ou se dá para fazer algumas coisas e, por outro lado, tem de se respeitar essa paciente porque realmente ela pode estar com um excesso de peso capaz de prejudicá-la socialmente. Tem de se respeitar a pessoa que se queixa de excesso de peso, essa é a minha opinião, mesmo que as pessoas olhem e achem que ela não tem excesso de peso.

Diário - Como você vê os vários regimes que surgem? Eles funcionam?
Halpern - O conceito de regime é errado. Regime é um conceito de uma coisa que é transitória e é rígido, e eu sou contra esse tipo. Mas evidentemente a pessoa, para emagrecer, vai ter de consumir menos calorias do que gasta, então ela vai ter de ter um plano alimentar e controle, é diferente. Mas regime, aquelas coisas rígidas e chatas que até podem dar certo mas que o sujeito emagrece e depois volta a engordar porque não vai conseguir manter, sou contra.

Diário - Por que algumas dietas funcionam para uns e não para outros?
Halpern- Cada um tem seu estilo, cada um tem suas preferências, mas eu gosto mesmo é da dieta dos pontos, porque aí, pelo menos, todo mundo pode comer de tudo.

Diário - Por que é tão difícil manter o novo peso após uma dieta?
Halpern - Isso a ciência ainda está estudando, mas certamente existem muitas forças engordativas que vão muito além da nossa vontade de emagrecer e muito além da nossa tentativa de controle que nos sabotam. Existem dezenas de substâncias no nosso organismo implicadas em nos fazer comer mais, querer mais doce, ser compulsivo ou coisas desse tipo.

Diário - Qual a premissa básica para que um programa de emagrecimento funcione?
Halpern- A pessoa tem de saber que tem uma doença que se chama obesidade e que vai fazer um tratamento para emagrecer, mas que não vai funcionar se ela não se controlar para o resto da vida. É preciso também procurar um profissional que vá junto com ela nessa viagem.

Diário- E a atividade física, funciona como coadjuvante nesse processo?
Halpern - Ela faz gastar calorias. Se você queimar mais calorias, vai emagrecer com mais facilidade. Mas a atividade física vai muito além disso, ela é saúde, é composição corporal, é a melhora de todos os riscos associados à obesidade. Então, não é olhar a atividade como uma coisa para emagrecer, mas dentro de um programa de saudabilidade.

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